Kzuka

Conteúdo: kzukasc  |  18/03/2011 07h13min

Saiba tudo sobre LSD e ecstasy (e por que é bom ficar bem longe)

O Kzuka te dá a real pra tu não entrar na pilha e depois pensar: "se arrependimento matasse..."

Produção: Marina Ciconet  |  marina.ciconet@kzuka.com.br

O Carnaval passou, e a galera está de volta à sua rotina. Mas um fato observado pela equipe do Kzuka durante as coberturas das festas de verão está martelando na nossa cabeça: a galera se jogou nas drogas. Nada de maconha, que, infelizmente, estamos acostumados a ver em praças, ruas e até estádios de futebol. Adolescentes começaram a consumir outros tipos de drogas ilícitas, ainda mais pesadas, sem medo. A moda da vez é a bala (gíria para o ecstasy) e o doce (LSD).

A bala é parecida com um comprimido, e o doce é semelhante a papel destacável. Quem não conhece, nem sabe que é droga. Ambas são consideradas caras e usadas por jovens de classe média ou alta. Pelo aspecto, são fáceis de serem escondidas dos pais e têm entrada na balada praticamente liberada. O ecstasy vai dentro de um pacote de Tic Tac. O LSD, na carteira.

Mas será que a galera sabe os prejuízos que o uso pode causar ao corpo? Será que acham que nunca irão se viciar? Que usam um dia e no outro fingem que nada aconteceu? Será que sabem o que acontece se eles forem pegos com esse tipo de droga no bolso? A gente acha que não. Por isso, se liga no que o Dr. Pedro Ferreira, do Departamento de Psiquiatria da FAMED-PUCRS, Mestre em Neurociência, Membro do Instituto do Cérebro PUCRS (INSCER) e Coordenador do Ambulatório de Dependência Química do Hospital São Lucas da PUCRS, falou sobre essas “drogas da modinha”. O Kzuka não quer ser chato, mas nosso papel também é dar real pra vocês. Nada de se jogar de cabeça na pilha dos amigos pra depois pensar: “se arrependimento matasse...”.

 O QUE É

“Bala” é uma das denominações populares para o ecstasy (3,4-etilenodioximetanfetamina ou MDMA). “Doce” é outra forma de se referir à substância psicoativa conhecida como LSD (dietilamida do ácido lisérgico). São produzidas em laboratórios e podem provocar lesões irreversíveis nos neurônios. O comércio de ecstasy é ilegal em boa parte do planeta. Geralmente, quem vende é também consumidor.

 SENSAÇÕES DURANTE O USO

Entre os efeitos desejados por quem usa estão: diminuição da sensação de medo, relaxamento, falsa sensação de alegria e desinibição social. Entre as experiências negativas (não desejadas) estão as alterações na percepção, tais como as alucinações, psicoses, desencadeamento ou agravamento do transtorno bipolar, ansiedade, depressão, insônia, além de alterações na memória e no aprendizado. Outras consequências: crônica diminuição da libido e alterações na capacidade reprodutivas

 GRAU DE VÍCIO

Alguns usuários tendem a desenvolver dependência psicológica tanto para o ecstasy quanto para o LSD.

 TRATAMENTO

Não existe nenhuma medicação que tenha se mostrado eficaz no sentido de inibir o consumo destas drogas. No entanto, abordagens familiares, intervenções de base escolar para alunos adolescentes iniciais, além de campanhas permanentes em locais de lazer noturno, frequentados principalmente por jovens de classe média, podem ajudar na prevenção.

 PREJUÍZOS À SAÚDE

Há uma extrema falta de informação sobre as consequências do uso dessas drogas. Uma única dose de ecstasy pode ser o suficiente para causar um quadro hepatotóxico (dano no fígado) ou neurotóxico (provocado pela hipoglicemia, já que usuários passam longos períodos sem comer). Estas alterações promovem morte dos neurônios e perturbações mentais ou comportamentais. Os problemas psíquicos são: dificuldade de memória, de tomar decisões, impulsividade, perda do autocontrole, ataques de pânico, paranóia, alucinações, despersonalização, diminuição da libido e depressão profunda.

Esta droga também provoca graves consequências orgânicas que podem colocar a vida do usuário em risco. Dentre estas alterações, podemos encontrar a destruição do músculo, febre que pode passar dos 41ºC, convulsão, insuficiência renal, coma e morte. Pessoas com problemas cardíacos ou que estão sob efeito de álcool, cocaína ou antidepressivos não devem correr o risco de ingerir ecstasy. Este tipo de associação é potencialmente letal.

 CURIOSIDADES

Conversamos com o Dr. Luciano Eifler, médico do SAMU e colaborador do Núcleo de Educação em Urgências da Secretaria Municipal da Saúde, que tirou algumas dúvidas da galera.

Por que consumir ecstasy ou LSD dá muita sede?

O consumo destas drogas causa a chamada síndrome serotoninérgica que promove ansiedade, sensação de pânico, agitação, hipertermia, suor excessivo e sede intensa.

Beber muita água após o consumo destas drogas pode ser prejudicial?

A ingestão excessiva de água leva à diluição do sangue (hemodiluição) e diminuição do sódio (hiponatremia) podendo resultar em edema cerebral, convulsões, coma e até falência respiratória e/ou circulatória.

E misturando com álcool, quais os riscos?

O álcool potencializa o efeito das drogas psicotrópicas e acentua a desidratação, aumentando as chances de intoxicação aguda.

Se você esconde o LSD junto da pele e começa a suar, ele é absorvido?

O contato cutâneo pode levar à absorção da droga sim. Mas a intoxicação e a concentração no sangue é bem maior via oral ou sublingual.

O que pode acontecer se você tomar vários ecstasys ou vários LSDs de uma só vez?

A intoxicação aguda por estas drogas causa convulsões, acidente vascular cerebral (derrame), coma, arritmias cardíacas, insuficiência respiratória, parada cardíaca e morte.

Por que vemos usuários de ecstasy chupando pirulito na balada?

O consumo de pirulitos é explicado pela sede e sensação de boca seca que as drogas produzem. Outra intenção seria evitar o atrito nos dentes e a mastigação involuntária que o ecstasy ocasiona nos mais intoxicados.

O QUE DIZ  A LEI

Será que a galera sabe o que pode acontecer se forem pegos pela polícia portando conteúdo ilegal? Conversamos com o delegado Mario Souza, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil. Ele tem 30 anos, vai pra balada e manja muito do assunto. Por isso, está implantando algumas mudanças no seu setor, com foco em grandes operações, como idas a festas com uma equipe especializada para inibir o consumo de drogas entre os usuários. Quer tirar dúvidas ou denunciar? Ligue para o Denarc 24h – 0800 518 518.

► Segundo o Artigo 28 da Lei de Drogas, ser usuário de drogas é crime

►O usuário alimenta o tráfico de drogas e contribui para toda uma rede de homicídios, assaltos e prostituição

►Não é apenas a quantidade de droga que você está portando que vai dizer se você se caracteriza como usuário, mas também seus antecedentes, o local em que ocorreu a conduta e a natureza da droga. Num primeiro momento, é o delegado que decide se você se enquadra como usuário ou traficante

►Se você viaja para Santa Catarina, por exemplo, com 150g de maconha e é pego pela polícia, você pode ser enquadrado como traficante (Artigo 33 – Tráfico de Drogas – de 5 a 15 anos de prisão)

►Se você está em uma festa com 50g de maconha e oferece droga para amigos e namorado(a), também pode ser preso (Artigo 33 – Tráfico Privilegiado – de 6 meses a 1 ano de prisão)

►Usuário menor de idade: se pego com droga, será apreendido, algemado (caso reaja), vai ser conduzido à delegacia e chamarão os pais, o Ministério Público e o Conselho Tutelar

►Usuário maior de idade: se pego com maconha, será preso, irá para delegacia, fará um TC (Termo Circunstanciado), comparecerá à audiência e terá de cumprir algumas penas, como prestação de serviços à comunidade

►Lembrando que, se você for fichado na polícia, o registro fica lá e isso poderá afetar a sua vida profissional e pessoal no futuro


Delegado do Denarc, Mario Souza vai a baladas atrás de usuários de drogas


Drogas apreendidas pelo Denarc: O LSD (acima, à esquerda) tem estampa de cogumelo


Amostras de maconha, cocaína e crack ficam embaladas em plásticos para visualização

O TAL TETO RUIM...

Histórias de quem já usou ou presenciou o consumo de ecstasy e LSD:

“Uma vez cheguei num churrasco de turma e notei que meus colegas estavam loucos e agitados demais pra quem só tinha bebido algumas cervejas. Eles falavam muita besteira! Foi quando pegamos o elevador para abrir o portão pra uma colega, e um desses guris começou a ter um ataque de pânico, gritava que estava preso no elevador, que continuava funcionando... Foi constrangedor. No outro dia, fiquei sabendo que ele tinha tomado bala.”
L.S,, 17 anos

“Resolvi experimentar LSD em uma balada. Uma amiga, que tinha pago ‘uma nota’ pelo tal adesivo, garantiu que era tri bom. Eu nem sabia o que era! Engoli o tal papel e, em menos de meia hora, começou a surgir o efeito: fiquei solta, dançava como louca, me achei a atração da festa. No dia seguinte, vi fotos minhas e eu parecia um bicho. Estava horrível, me mordendo, com os olhos esbugalhados... Nunca mais!”
D. A., 17 anos

“Fumava maconha e sempre tomava cuidado pra não chegar em casa e ser pego pelos meus pais. Um dia, fui numa festa e tomei bala com a galera. Fiquei me sentindo o cara, mas suava demais e me sentia perseguido, bem estranho. Perdi a hora e cheguei me casa às 8h da manhã, com meus ‘coroas’ acordados. Na hora, eles viram que tinha algo errado. Minha mãe disse que eu estava irreconhecível, foi o maior barraco e fiquei de castigo e sem mesada por três meses.”
V. M., 16 anos

Comentários

mvm

Denuncie este comentário19/03/2011 00:06

super interesante essa maconha modificada de poa, é impresionante a falta de preparo, de um policil didicado apenas ao combate as drogas, acho que deveria ser mais aberto a discusão sobre drogas, e ter menos preconceito sobre o asunto, em algumas instituições se vc trada sobre o asunto é capaz de ir expulso, lamentavel, devemos quebrar essas bareiras e pesquisar mais sobre o asunto em instituições de ensino do nivel fundamental, médio e superior, não apenas tratar elas como cliches, 'isso acaba com vc", "vai te matar", realmente pesquisar sobre o assunto e saber os pros e contras.


Marcela Donini - editora do Kzuka RS

Denuncie este comentário18/03/2011 18:10

João, você deveria ter mais cuidado ao fazer uma acusação dessas. Nenhum dos nossos depoimentos são falsos. Nosso intuito é de alertar os jovens. Não somos hipócritas, sabemos que eles usam. Nossa mensagem é "se quer usar, pelo menos saiba onde está se metendo". Outra coisa: o fato do álcool matar mais gente não invalida uma reportagem sobre outras drogas (ilícitas) q também são prejudiciais. A matéria está cheia de informações, discordo que contribua para a ignorância. Um abraço, Marcela Donini

 

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