Conteúdo: kzukars | 20/02/2012 10h11min
Aos 44 anos, Marcelo D2 continua o mesmo dos tempos de Planet Hemp: engraçado, criativo e sem papas na língua. Sempre em busca da batida perfeita, o cara segue como um dos artistas mais requisitados do Brasil. Segundo Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr. e parceiro de D2, o rapper é um nômade da música. Em 13 anos de carreira solo, Marcelo Maldonado Gomes Peixoto gravou cinco discos de estúdio e dois álbuns ao vivo. Sucesso entre a galera e atração do Planeta Atlântida 2012, o Kzuka bateu um papo EXCLUSIVO com esse boêmio – e pai de família – assumido.
KZUKA - Como era o D2 na adolescência?
MARCELO D2 – Eu só queria tocar o terror e deixar a minha marca. Eu nunca fui um cara de se esconder e ficar no canto. Na verdade, eu pensava que seria skatista profissional, mas não tinha talento para isso.
KZK – E anda de skate ainda?
D2 – Não, o joelho não permite. Mas andei até pouco tempo atrás.
KZK – O legal do seu show é a mistura de hip hop, samba, hardcore. Você acredita que os artistas não devem se prender a um rótulo?
D2 – Acho que não. A Cachorro Grande, por exemplo, é rock pra c@r#!#o e é bom demais. Acho que as pessoas sacam o artista quando ele é de verdade. Elas olham para os caras e dizem: “Eles são rock n’ roll”. Mas isso não é o mais importante.
KZK – O Stephan tá bombando com a Start. Como é o orgulho de pai nessa hora?
D2 – É maneiro pra caramba. Ele entra no palco com o Planet Hemp desde os três anos de idade (hoje, Stephan tem 20). Então, estou acostumado a vê-lo cantando há muito tempo. Eu fico feliz porque ele encontrou uma galera gente boa pra caramba, uma molecada com a cabeça no lugar, que está fazendo uma parada maneira. Acho que é um pouco dessa cena de hip hop de agora. É um momento bom de rap no Rio de Janeiro, com a galera do ConeCrew e outros. Mas sou suspeito pra falar.
KZK – Que dica você daria para a galera que quer começar no caminho da música?
D2 – Não sei se tenho uma dica, pois é difícil você falar pra alguém o que tem de fazer, né? Você tem de saber sozinho o que vai fazer. Mas uma coisa importante é fazer com vontade. Uma coisa que me incomoda é o artista querer ser maior do que a arte que ele faz, ser mais famoso do que a música dele. Seria legal o cara fazer com que a música virasse sucesso, e não ele, um superstar.
KZK – A sua bio do Twitter diz: “Boêmio e pai de família, o resto não interessa...”. Tem como conciliar isso numa boa?
D2 – Não, cara. O boêmio ganhou. Mas é lógico que tem como dar conselhos. É que no Rio de Janeiro todo mundo é boêmio: 90% da população do subúrbio é boêmia e formada por pais de família. O meu pai era assim. Eu gosto disso, mas não fujo das minhas obrigações: levo meus filhos na escola e adoro estar com eles.
KZK – O que você acha de o público mais jovem curtir o seu som?
D2 – Acho legal pra c@r#!#o. Esses caras que me fazem ir à procura de alguma coisa, da batida perfeita. Esses moleques me deixam jovem e me fazem querer estar ali diante do público.
Foto: Talles Kunzler
D2: "Uma coisa que me incomoda é o artista querer ser maior do que a arte que ele faz, ser mais famoso do que a música dele"
Foto:
Talles Kunzler
Grupo RBS Dúvidas Frequentes | Fale Conosco | Anuncie | Trabalhe no Grupo RBS - © 2009 clicRBS.com.br Todos os direitos reservados.