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| 28/01/2010 04h43min
A aventura em território gaúcho não foi planejada, mas renderá boas histórias que Werner, 66 anos, e Anne Marie Haltmayer, 62 anos, pretendem contar, no retorno à Europa. O casal de alemães chegou a Rio Grande, no sul do Estado, por acaso, depois que o veleiro no qual viajam teve as velas rasgadas e o motor estragado durante uma tempestade em alto-mar.
Resgatados por um pesqueiro próximo ao Chuí, na fronteira com o Uruguai, o casal e a embarcação foram levados para Rio Grande. Desde então, vivem no barco de 12 metros de comprimento, por 3m60cm de largura, atracado na Barra, em uma vila de pescadores próxima aos molhes. Viraram atração na cidade.
A viagem se iniciou há quatro anos. Werner, padeiro aposentado, e Anne, vendedora, não conseguiam sobreviver com a renda de R$ 2 mil. Resolveram tentar a sorte em outro país. Venderam a casa e o carro em Rosenheim, cidade próxima a Munique, compraram o veleiro por R$ 78 mil e partiram, deixando cinco filhos para
trás.
O Out of Rosenheim levou
a dupla às Ilhas Canárias. Foram dois anos trabalhando em hotéis e restaurantes. No fim de 2007, o casal resolveu cruzar o Atlântico. Conheceram Salvador e decidiram ir ao Uruguai. Em novembro, já no extremo sul do Brasil, o veleiro estragou.
– Ficamos perdidos por dias, sem saber o que fazer. As velas rasgaram, o motor travou – conta Werner.
Desde dezembro em Rio Grande, sem dinheiro nem sequer para pagar o conserto do barco – que custará R$ 3 mil –, eles contam com a solidariedade para seguir viagem. E também para sobreviver.
Solidariedade impressiona
A solidariedade no Estado foi o que mais impressionou os alemães. Não faltaram convites para a ceia de Natal.
Para registrar a estadia no município, um dos novos amigos emprestou a Werner uma máquina fotográfica. O equipamento será devolvido no retorno ao mar.
O cotidiano no sul
gaúcho
A rotina em Rio Grande é quase sempre a mesma. O casal passa boa parte do dia dentro do
veleiro. Pela manhã, caminha pelas areias da Barra e brinca com os cães da vila. Já para tomar banho e ver TV, o destino é a residência da dona de casa Lucimar de Souza, 43 anos, vizinha ao trapiche.
Carregados de lembranças
Dentro do veleiro há uma pequena cozinha, com fogão, frigobar, pia e armário. Frutas e pães frescos ficam no balcão, colado em duas camas, que também servem de sofás. O banheiro completa a infreaestrutura da embarcação, carregada de lembranças da Alemanha. Há fotos de família e um relógio que permanece marcando o horário local.
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